10 de ago de 2012

Do outro lado do mundo




Sempre tive vontade de morar fora, viver num lugar diferente.
Quando era pequena queria ser astronauta ou aeromoça.
Por circunstâncias da vida aos 18 anos guardei na mochila essa ideia, e me contentava com as viagens de férias. Contentava vírgula, voltava para casa nem um pouco contente , angustiada com um desejo louco de não voltar.
E assim segui até semana passada.
O 1o vôo estava atrasado duas horas. Mas ainda havia chance de pegar a conexão no ESE. Não fosse a falta de teto para pouso e a mudança para o Aeroparque.
8:15 am , a conexão saí as 8:30 do ESE e estou pousando no aeroporto errado.
Desembarca , pega as malas com a casa dentro, corre pelo aeroporto. Cadê o guichê da Aerolineas ?
A mocinha de chapeuzinho de barquinho impacientemente me aconselha a pegar um taxi se quiser tentar pegar o voo. E lembra que se eu não pegar esse o próximo sairá daqui a dois dias.
- Señor, yo preciso llegar ahora en ESE , porfavor ayuda me !!!
Trânsito intenso , no caminho me toco que não tenho peso argentino para pagar a corrida.

Escrevo de frente para o mar, sentada na mesa de fora do Girdlers Grind Cafe, em Dee Why praia ao norte de Sydney.
Meu novo lar por um tempo.
Hoje completo uma semana. Como um bebê, engatinhando. Nos primeiros dias, acordava no meio da madrugada e não conseguia mais dormir. De tarde um sono enlouquecedor. O jet leg radical enriquece a experiência da mudança.
Passada a lezeira, comecei o processo burocrático para existir como cidadã: cadastro no tax number, abrir conta no banco local, celular, internet, aprender o mapa, andar de ônibus.
Moro a dois minutos a pé de uma praia linda, diariamente faço caminhadas costeando várias praiazinhas com diferentes picos de surf.
No caminho vou listando as diferenças que me chamam atenção.
Morar na Australia é :
- Andar de long john pelas ruas como se estivesse de moleton.
- Se exercitar. Todo mundo corre, anda de bicleta, skate, caiaque, canoa, stand up e claro surfa. To falando de mães empurrando carrinho com gêmeos e fazendo cooper, senhores e senhorinhas nadando nas piscinas públicas das praias na friaca de 10 graus.
- Usar uma Ugg boots, uma botinha estilo esquimó. Tipo crock feia mas confortável. Acho que já já vou ter que me render e comprar uma.
- Tomar café, muito.
- Aproveitar a vida outdoor, muito pic nic, passeio nos parques, jogos com bola, frisbee.
- Levar sua própria bebida para o restaurante. Muitos restaurantes não possuem licença para vender álcool . Nesses locais há uma plaquinha na porta BYO ( bring your own ).
- Beber água da torneira. E ter bebedouros para encher sua garrafa ao longo das pistas de corrida.
- Entrar na peixaria escolher o peixe e o modo de preparo e comer ali mesmo acompanhado de fritas. O hábito inglês de fish and chips predonima por aqui.
- Pesar, ensacar e pagar sozinha no supermercado, sem ter o humano no caixa.
No mercado algumas diferenças de cifrões começam a mudar minhas receitas e hábitos culinários.
- Banana, manga, mamão, abacate e limão são caros. Opto pelas maçãs, existem várias espécies de tamanhos e tonalidades diferentes e pelo kiwi da vizinha Nova Zelandia que compro em lotes.
- Nirá e alho poró são mais baratos que salsa, cebolinha e coentro.
- Cogumelos frescos de várias espécies além dos famosos shimejis e shitakis são super em conta e compro em caixas. Eles vão consolar e compensar a ausência do aipim, inhame e baroa.
- Cenoura é barata. A abóbora nem tanto. E o gengibre uma fortuna.
- Tofu fresco e temperado, leite de arroz e de amendoas além de crackers, wrapps , pizzas e pães sem glúten para minha alegria são baratos. Paguei 1.99 (dolar australiano) no leite arroz. No Brasil pagava R$16,00.
- Salmon fresco e defumado da Tasmania e o atum em lata gigante são baratos.
E finalmente os vinhos brancos neozeolandeses e os tintos australianos tem preços bem convidativos.
Sigo explorando a culinária local da terra dos cangurus , daqui a pouco eu conto mais.







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6 comentários:

  1. Afffff que alivio ter noticias tuas!!!!!!
    Beijo de mico leão dourado na amiga recém-kanguru,
    Di

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  2. Julita, grande beijo.
    Feliz por ver vc feliz.
    Aproveite cada dia, mas volte um dia :)
    Escreva sempre, é muito bom ler vc!

    Ju Lins

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  3. Juju,
    Adorei...mais do que nunca vou acompanhar seu blog e viver um pouquinho da sua viagem.
    Que bom receber essas notícias!
    Beijo bem grande.
    Lu

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  4. Olá Júlia,

    Foi uma surpresa ler que você está do outro lado do mundo, em Sydney, na Austrália, curtindo uma praia.
    Você vai ficar quanto tempo por aí? É uma viagem sabática, de lazer, estudos e prospeção?
    Espero que aproveite bastante.
    Duas dicas sobre o país: o livro do grande crítico literário australiano récem-falecido Robert Hughes, "The fatal shore - the epic of Australia's founding".
    E o incrível filme dos anos 70 "The last Wave", do diretor Peter Weir, que realça o papel xamânico do aborígenes.
    Enfim, enjoy it.

    Beijos,
    Roberto

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  5. Nossa, que saudade de Sydney =)) Aproveite muito essa cidade e pais que eu tanto amo!
    =)

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  6. Meus Deus, a saudade já é tanta que já fazemos planos das férias da família aí. Necessito de notícias! Love.
    Maria

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