16 de set de 2012

Quebrando padrões




Segundo mês em terra estrangeira.
Rotina de cabeça para baixo.
Eu que era cheia de regras e padrões, fã de uma disciplina quase xiíta fui obrigada a me tornar bem mais flexível.
Encarando como um processo de evolução.

Comecei a trabalhar alguns dias da semana como barista num restaurante badalado de Manly beach. Um bom lugar para entender a cultura australiana.
Fiz um curso de um dia para aprender todas as formas de cafés possíveis. Os Aussies levam esse papo de café a sério.
O que antes para mim era só um café com leite virou latte, flat white, mocca, cappuccino...
Australiano é tão tarado com café que inventaram até o babyccino, espuma do leite com chocolate em pó e um bolinha de marshmellow para a criança tomar enquanto os pais saboreiam o cappuccino.

As vezes me perco entre o ponto adequado da cremosidade do leite e entender o pedido do cliente : " I would like a weak flat white with one equal , please ".
A parte do weak eu entendi, um café fraco, mas what a fuck means equal ?
E uma eternidade se passa, a fila aumenta até eu descobrir que é a marca do adoçante.

A vida de restaurante é ralação física, fora fazer café e cuidar de toda a parte de bebidas têm a limpeza do bar e a reposição o que significa subir e descer até o estoque carregando caixas de vinho, kilos de grãos de café, cervejas e afins. E haja coluna.

Trabalhando aos sábados e domingos a noite e com folga segundas e terças, a mini depressão de domingo das seis da tarde ficou sem lugar.Domingo ficou com corpinho de sexta.

A moda aqui em Northen Beaches é bem anos 80, tênis Vans, com e sem cadarço, All Star de cano longo. Calças coloridas, vermelha, azul, amarela. As meninas usam coques descabelados feitos bem no alto da cabeça, quanto mais alto melhor. Shortinho jeans com meia calça e botas. Chinelo com calça jeans surrada e muitos andam descalços mesmo.

Para alguns surfistas é comum morar no carro , em vans , atrás do banco do motorista abre uma cama. Conheci um japa que morou seis meses estacionado em frente ao pico de surf que ele gostava. Comia banana no café da manhã, surfava, ia trabalhar na fábrica de sushis cortando peixe , aproveitava para almoçar e jantar sushis. O banho era nos banheiros das praias, que aqui são limpos. Custo de vida quase zero.
Agora Yuki casou. Convenceu a namorada a vir do Japão e para isso precisou pedir a mão dela em casamento e se mudar para uma casa, a familia da Yuna não permitiu que ela viesse sem um endereço postal.


Semana passada descobri uma rede fast food gluten and dairy free muito legal, chamada Iku , tem em vários lugares da cidade. Comi bolinho de arroz com algas e fiquei de olho na torta de abóbora japonesa. Dá para ver o cardápio no site www.iku.com.au.

Xi, preciso ir para aula agora.

Sigo por aqui reaprendendo a viver, jogando fora o que não serve mais e catando o que estava perdido.

Um comentário:

  1. To adorando sua maneira de narrar os fatos. É bom ler uma experiência que lembra a sua mesmo. Tb sei como é viver longe da pátria, depressões de domingo, adaptar-se, reciclar conteúdo, bla,bla,bla.

    abs,
    Sandra

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